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terça-feira, 21 de outubro de 2025
Quando o Microfone Vira Espelho
Durante uma sessão da Câmara de Itatiaia, a vereadora Elis (Avante) decidiu cantar um trecho de Chitãozinho & Xororó. Um gesto aparentemente simples, despretensioso — quase um momento de leveza. Mas há lugares onde o riso pesa, e o som ecoa diferente. O plenário, afinal, é o coração da política municipal. E quando o coração se distrai, a cidade sente.
Na minha opinião, o microfone de uma vereadora não é um brinquedo. Ele carrega o peso da voz de centenas de eleitores, de esperanças silenciosas e promessas feitas na urna. Quando esse microfone se transforma em instrumento de descontração, o povo, que acompanha em casa, se pergunta: quem está cuidando das causas enquanto o som toca?
É preciso reconhecer que Elis tem iniciativas importantes. Levou crianças para um passeio no Rio de Janeiro, participou de ações no Dia das Crianças e se envolve em projetos comunitários. Isso mostra empatia e presença. Mas política é mais do que presença física — é presença moral, é saber onde se está e o que se representa. Uma boa ação não se sustenta sozinha se o comportamento, mesmo que por segundos, desvia do eixo da responsabilidade.
E aqui vai meu recado, não de adversário, mas de cidadão atento: quem assume um mandato carrega um símbolo. Cada palavra, cada sorriso, cada brincadeira — tudo vira mensagem. O povo de Itatiaia precisa de representantes que saibam equilibrar leveza e seriedade, empatia e autoridade. Porque o microfone que hoje diverte é o mesmo que amanhã será cobrado por respostas.
O poder político tem suas sutilezas. Ele não grita, ele sussurra. E quando o povo começa a ouvir desafinado, é sinal de que algo está fora do tom.
Portanto, vereadora, afine o instrumento do mandato. Continue ajudando, participando, mostrando empatia. Mas lembre-se: o plenário não é palco, é espelho. E o reflexo que se projeta ali é o que o povo levará na memória quando a música parar.
E para encerrar — afinada como cantora, sim, mas dessa vez, desafinou como vereadora.