Eu me deitei para descansar naquela noite na pousada, querendo só uns minutos de paz. Fechei os olhos e o sono veio rápido, profundo, mas carregado de uma sensação estranha. Algo no ar parecia pesado, como se houvesse uma presença me observando.
De repente, me vi deitado na cama do quarto. Virei a cabeça para o lado... e lá estava ele: Jason, o assassino mascarado dos filmes de terror, parado, imóvel, com uma faca enorme na mão. Naquele instante, o medo tomou conta de mim. Meu coração disparou e, num impulso, eu pulei da cama e saí correndo, enquanto ele vinha atrás de mim, pronto para me atacar.
Corri por um corredor estreito e entrei em outro cômodo, batendo a porta atrás de mim. Quando olhei ao redor, ele simplesmente sumiu, como se nunca tivesse estado ali. Respirei fundo, tentando me acalmar, e voltei ao quarto. Foi então que senti um frio na espinha: eu me vi deitado novamente na cama, exatamente como antes.
Desesperado, corri de novo, dessa vez para fora da pousada. Enquanto corria, peguei o celular e comecei a ligar para a polícia, falando sem parar, pedindo socorro. A DPO ficava perto dali, e eu fui direto para lá. Quando cheguei, já havia uma multidão em frente à pousada. Dois policiais me acompanharam de volta.
No meio da confusão, veio a revelação: o homem mascarado não era Jason, mas sim o Coruja — alguém que eu conhecia. Meu coração ficou em pedaços. Era como se o mundo tivesse virado do avesso.
Mais tarde, já perto das quatro da manhã, eu consegui adormecer novamente. Mas, de repente, acordei assustado ao ouvir uma voz suave e clara me chamando:
— Neném!
Abri os olhos na hora, olhei ao redor... não havia ninguém. Só o quarto silencioso, mergulhado na escuridão.
Fiquei ali, imóvel, tentando entender. Foi apenas um sonho? Um aviso? Ou algo que eu não consigo explicar?
Naquele instante, só consegui sentir uma certeza: nem todo terror fica preso nos filmes, e nem toda voz vem de alguém que podemos ver.