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quinta-feira, 21 de maio de 2026

​A POLÍTICA DO DESRESPEITO: Os “valentões de celular” que acham que mandato é licença para humilhar trabalhador

​O Brasil está assistindo nascer uma geração perigosa de políticos e influenciadores que confundiu fiscalização com humilhação pública. Uma turma que descobriu que dá engajamento apontar o dedo na cara de professor, servidor, trabalhador humilde e gente simples.

​Foi vereador chamando professor de vagabundo. Foi garoto pegando microfone em assembleia para desrespeitar educador como se professor fosse inimigo da sociedade. E o pior: ainda tem plateia aplaudindo esse tipo de espetáculo.

​Que tipo de formação política é essa? Que tipo de ser humano acha bonito humilhar trabalhador para viralizar na internet?

​O verdadeiro negócio: O lucro por trás da lacração

​Hoje virou moda fazer vídeo gritando com funcionário público. Virou moda pegar celular, ligar a câmera e agir como imperador diante de gente que está trabalhando. Sempre escolhem o alvo mais fácil. Sempre escolhem quem não tem segurança armada, quem não tem milhões na conta, quem está ali tentando sobreviver. É a geração do “valentão de condomínio”. Do “justiceiro de internet”. Do político criado por algoritmo.

​Mas o buraco é muito mais embaixo. Sabe por que eles fazem isso com tanta ganância? Porque a humilhação virou negócio.

​Alguns desses vereadores e políticos usam a estrutura pública do mandato, paga com o seu imposto, para gravar esses teatros e colocar no TikTok e no Kwai. Eles monetizam esses vídeos. Isso significa que quanto mais eles gritam, constrangem e humilham um trabalhador honesto, mais eles ganham dinheiro direto no bolso através das redes sociais.


​Isso é uma vergonha moral e, acima de tudo, uma grave ilegalidade. Usar o cargo público e assessores pagos pelo povo para gerar lucro privado na internet através do constrangimento alheio é uma afronta à lei. É usar o dinheiro do cidadão para enriquecer o político com visualizações.


​Cadê a valentia diante dos poderosos?

​Mas aí vem a pergunta que incomoda: Por que essa coragem toda desaparece diante do verdadeiro poder?

  • ​Por que esses “machões da câmera” não entram nas áreas dominadas pelo crime organizado para gravar vídeo peitando traficante?
  • ​Por que não vão denunciar esquema pesado cara a cara?
  • ​Por que não apontam o dedo para os grandes grupos econômicos que sugam as cidades?
  • ​Por que não fazem vídeo pressionando os responsáveis pelo abandono da saúde, da moradia e do transporte?

​Ali a voz abaixa. Ali o celular treme. Ali o herói da internet desaparece.

​O reality show da dor social

​Porque no fundo muitos deles não querem resolver problema nenhum. Querem apenas fabricar humilhação para ganhar curtida, seguidores, cliques e aplauso de torcida política. Transformaram a política em reality show. Transformaram a dor social em conteúdo lucrativo. Transformaram trabalhador em cenário de TikTok. E isso é revoltante.

Professor merece respeito. Servidor merece respeito. Trabalhador merece respeito.

​Nenhum mandato dá licença para tratar ser humano como lixo diante das câmeras, muito menos para fazer disso um balcão de negócios.

​O povo brasileiro está cansado dessa política feita por gente que nunca carregou peso na vida, nunca pegou ônibus lotado, nunca sentiu o desespero de faltar dinheiro dentro de casa, mas se comporta como dono da verdade porque ganhou seguidores na internet.

​Política séria exige coragem de enfrentar os problemas reais. Exige proposta. Exige responsabilidade. Exige humanidade. Porque gritar com trabalhador na frente da câmera para lucrar nas redes sociais não é coragem. É teatro e é caso de polícia.

​O povo não elegeu influenciador com complexo de autoridade. O povo elegeu representante. E representante que perde o respeito pelo trabalhador perde também o direito moral de representar o povo.

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