Talvez para alguns seja apenas uma frase bonita.
Para mim, não.
Para quem tem história de militância, para quem já colocou o corpo na rua, enfrentou dificuldades, carregou bandeira, organizou gente, acreditou quando muitos desacreditaram e continuou caminhando mesmo quando não havia estrutura, essa frase tem outro peso.
Ninguém solta a mão de ninguém.
Ontem, depois de passar horas acompanhando uma agenda política, entre estrada, carreata, caminhada, reuniões e encontros, vivi uma situação que me fez parar e pensar.
Não foi pelo carro.
Não foi pelo almoço.
Não foi pela logística.
Foi pelo sentimento.
O sentimento de que, depois de caminhar junto durante horas, na primeira dificuldade, alguém pode simplesmente olhar para o lado e seguir como se você não estivesse ali.
E isso dói mais em quem tem história.
Porque militância não pode ser uma relação de conveniência.
Não podemos lembrar do companheiro somente quando precisamos de força, de presença, de organização, de gente na rua ou de alguém para ajudar a construir uma campanha.
Companheirismo se prova justamente quando aparece a dificuldade.
E talvez seja aí que a gente descubra quem realmente está caminhando ao nosso lado.
Também aprendi que, na política, existem disputas de espaço que muitas vezes ninguém declara. Ninguém fala. Ninguém assume.
Mas a gente sente.
E eu sinto muito mais do que algumas pessoas imaginam.
Não estou escrevendo isso para atacar ninguém. Nem para pedir espaço, cargo ou favor.
Estou escrevendo porque tenho memória.
Tenho história.
Tenho lado.
E tenho orgulho da caminhada que fiz.
Continuo acreditando que a esquerda precisa ser diferente.
Precisa olhar para o companheiro que está ao lado. Precisa cuidar de quem está na caminhada. Precisa entender que ninguém constrói um projeto coletivo tratando pessoas como peças descartáveis.
Eleição passa. Campanha acaba. Cargos mudam.
Mas a maneira como você tratou quem caminhou ao seu lado fica na memória.
Por isso, continuo acreditando naquele velho princípio que aprendi na caminhada política:
NINGUÉM SOLTA A MÃO DE NINGUÉM.
Porque quando a gente solta a mão de um companheiro, talvez não esteja apenas deixando uma pessoa para trás.
Talvez esteja deixando para trás aquilo que dizia defender.
Nenhum comentário:
Postar um comentário