Responsabilidade com a notícia:
Esta reportagem está embasada em informações oficiais do Portal da Transparência, documentos da Câmara de Itatiaia e registros contratuais devidamente especificados. O espaço está aberto a todos os citados para esclarecimentos.
O tabuleiro político de Itatiaia não é para amadores. O que começou com a denúncia de um trator trabalhando em solo vizinho acaba de se transformar em um escândalo documental que envolve contratos milionários, dispensa de licitação e uma rede de influência que atravessa a Via Dutra.
1. O Presente Clandestino
Uma busca minuciosa no Portal da Transparência revela que a empresa Nascimento Faria Engenharia é muito mais do que uma prestadora de serviços; é uma colecionadora de contratos em Resende. Recentemente, a empresa foi “presenteada” com um trator exportado clandestinamente da frota de Itatiaia.
Vale lembrar que Itatiaia é hoje governada por Kaio Márcio (o "Kaio do Diogo Balieiro"), apontado por muitos como um prefeito-laranja do ex-prefeito de Resende, Diogo Balieiro. O maquinário em questão foi adquirido no governo anterior, através de convênio federal, mas passou os últimos meses trabalhando em favor de empresas privadas que faturam alto em Resende.
2. Os Números do Esquema (Tim-tim por Tim-tim)
Os documentos obtidos pelo O Palanque de Adeilson mostram que a Nascimento Faria não precisaria de "ajuda" de Itatiaia, dado o seu faturamento:
R$ 3.571.999,99: Valor homologado para a 4ª fase do Ecoparque em Resende. Um contrato de 3,5 milhões que já é alvo de denúncias ao Ministério Público por suspeita de superfaturamento.
R$ 664.016,07: Um contrato para reforma do portal da Serrinha do Alambari e sinalização turística. O detalhe escandaloso? Foi feito por DISPENSA DE LICITAÇÃO (Art. 24, Inciso V, da Lei 8.666/93).
R$ 100.998,32: Contrato específico para manutenção, onde a empresa deveria fornecer seu próprio maquinário.
A pergunta é simples: Se a empresa recebe milhões para executar o serviço e deve fornecer o equipamento, por que o trator de Itatiaia, com diesel e operador pagos pelo povo itatiaiense, estava lá fazendo o serviço "de graça" para a empresa? Quem ficou com o lucro dessa economia?
3. O "Bloco de Brasília" e o Silêncio das Cadeiras Vazias
Enquanto o trator atropelava o patrimônio de Itatiaia, a Câmara Municipal vivia uma votação histórica. O placar de 8 a 2 pela abertura da Comissão Processante mostrou que o governo Kaio Márcio sangra. Mas o detalhe está nas cadeiras vazias.
Os vereadores Vini Celular, Patrick Motta e Pipia (o grupo ligado ao ex-prefeito Irineu) estavam todos em Brasília, em missão oficial pela Câmara. Alegam "surpresa" com a votação, mas na política, o silêncio e a ausência são decisões calculadas. Eles são o fiel da balança. O 9º voto — aquele que falta para a cassação definitiva — está hoje na mala de quem viajou para a Capital Federal.
Se os ausentes dizem que não sabiam da votação, assinam um atestado de incompetência. Se sabiam e não estavam presentes, assinam um atestado de omissão estratégica. O fato é: o nono voto agora vale ouro, e o povo de Itatiaia quer saber se ele será usado para fazer justiça ou para barganhar nos bastidores.
4. Conclusão: Quanto mais mexe...
Como diz o ditado popular: "Quanto mais mexe na m**, mais ela fede"*. O processo de cassação foi aberto e os documentos estão na mesa. Itatiaia não pode ser um puxadinho de Resende, e seu maquinário não pode servir de "bônus" para empresas que já levam milhões em contratos duvidosos.
O espaço está aberto para que os vereadores do "Bloco de Brasília" expliquem o que é mais importante: a agenda na capital ou o trator que sumiu de Itatiaia?
O Palanque de Adeilson continuará mexendo. A verdade tem cheiro de transparência, e o esquema tem cheiro de óleo diesel desviado.
Nenhum comentário:
Postar um comentário