Adeilson Oliveira
Na política, tem muito "líder" que não quer montar um partido, quer montar um veículo. Ele se coloca como a Pipa: o único que deve brilhar, o único que tem o direito de subir e o único que, no final, vai levar o mandato.
Para que ele voe, porém, a lei exige um peso mínimo. É aí que ele vai atrás da Rabiola.
A Estratégia do Puxador
A rabiola, nesse caso, é formada por candidatos convidados a dedo, não para vencerem, mas para sustentarem o voo da Pipa principal.
- As Fitas de Sacrifício: São candidatos que entram apenas para somar os votos necessários para a legenda. Eles dão o equilíbrio, mas são feitos para ficarem embaixo.
- O Nó Cego: O "Dono da Pipa" garante que ninguém na rabiola seja grande o suficiente para ameaçar o seu lugar. Ele quer fitas leves, que façam volume, mas que nunca cheguem perto de voar mais alto que ele.
O Destino da Rabiola
O problema dessa política é que, quando a eleição acaba e a Pipa atinge a altura desejada (a vitória), ela esquece quem foi a rabiola.
- Se a Pipa ganha, ela corta a linha e deixa a rabiola ao léu.
- Se a Pipa perde, ela cai em cima da própria rabiola, sufocando quem tentou ajudar.
A Ilusão do Voo Coletivo
Muitos aceitam ser rabiola acreditando que estão voando, mas a verdade é uma só: quem segura a linha e quem brilha no alto é o "espertão". A rabiola só serve para garantir que a Pipa não dê "redemoinho" e caia antes de abrir as urnas.
Conclusão: Tome cuidado ao ser convidado para compor uma chapa. Pergunte-se sempre: "Eu sou parte de um time que quer voar junto, ou sou apenas mais um nó na rabiola de quem já se sente Pipa?"
Na política da pipa egoísta, a rabiola trabalha, mas quem ganha o céu é o bambu.