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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

​Vagas Ocupadas: Onde Estão as Novas Vozes da Nossa Política?

A morte de Paulo Conrado, ocorrida enquanto ele exercia seu oitavo mandato consecutivo como vereador em Volta Redonda, provoca sentimentos diversos. Há o luto, o respeito à trajetória e, inevitavelmente, a reflexão sobre o modelo político que se repete em muitas cidades do Brasil.

É preciso começar pelo óbvio, que muitas vezes é ignorado: ninguém ocupa um cargo eletivo por tanto tempo sem respaldo popular. Paulo Conrado foi reeleito sucessivas vezes porque construiu base eleitoral, desenvolveu trabalho, manteve presença política e conquistou a confiança de milhares de eleitores. O voto é soberano. Oito mandatos não acontecem por acaso. Houve mérito, houve atuação e houve reconhecimento.

Ao mesmo tempo, é legítimo observar que o sistema político tende a favorecer quem já está dentro; A estrutura do mandato, a visibilidade institucional, o acesso aos espaços de decisão e a própria dinâmica eleitoral criam um ambiente em que a renovação se torna mais difícil. Assim, mesmo com boas intenções e trabalho realizado, o cenário acaba sendo pouco permeável para novas lideranças.

É nesse ponto que nasce a reflexão — não sobre a pessoa, mas sobre o modelo.

Quando um vereador permanece por 20, 30 anos ocupando a mesma cadeira, ele passa a integrar a própria paisagem institucional. Mudam prefeitos, governos, crises e prioridades, mas certos nomes continuam. Popularmente, isso é descrito como um Legislativo que envelhece, se cristaliza e perde oxigenação. A metáfora não desmerece o indivíduo; ela aponta para um sistema que se fecha.

Não se trata de negar o trabalho. Vereador trabalha, articula, negocia, atende demandas e cumpre agenda. A pergunta necessária é outra: até que ponto a política local consegue se renovar? Quantas novas lideranças deixam de surgir porque os espaços permanecem ocupados por décadas?

Com a morte de Paulo Conrado, esse ciclo se encerra. De forma simbólica, quem assume sua vaga é Marquinho Motorista, ex-vereador, figura conhecida da política local e veterano do Legislativo, que retorna à Câmara por direito, como primeiro suplente eleito.
Há mudança de nome, mas não necessariamente mudança de lógica. Isso reforça ainda mais a necessidade do debate: a democracia local funciona, mas ainda funciona pouco para renovar.

A Câmara Municipal deveria ser um espaço vivo, dinâmico, onde experiência e novas ideias caminhem juntas. A renovação política não pode depender de acontecimentos extremos. Precisa ser fruto de escolha consciente, alternância e abertura real para novas lideranças.

Paulo Conrado deixa sua história, seus acertos, seu legado e o reconhecimento de quem o elegeu tantas vezes. Sua trajetória merece respeito. Ao mesmo tempo, ela nos convida a pensar sobre o futuro.

Queremos Câmaras que se renovem ou estruturas que se eternizem?
A reflexão aqui não é pessoal.
É política.
E é necessária.

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